domingo, 4 de outubro de 2009

Essa vida cinématica.

Só pra constar, eu gosto daqui, desse blog, dessa casa. Dá vontade de morrer aqui, nadar aqui, ser aqui. Dá vontade é de fazer da vida tudo isso, esse infinito tão grande e cheio de coisas boas.

Só queria deixar marcado : eu realmente gosto daqui. 

sábado, 27 de junho de 2009

Mudar.

mudar é assim, a gente acha que foi, que deu o primeiro passo e que tá tudo novo, diferente, espatifado. Mas aí é que a gente vai se dando conta nonada, nada muda, tudo continua sendo sempre, 10% diferente, claro, por que o avanço ou o retrocesso são inevitáveis. Daí, vem a saudade, essa coisa feroz que bate fundo no peito que é pra não passar desapercebido. É quando eu analiso o caminho de largos passos e nada mais que apenas passos, o caminho ainda está intacto.

domingo, 21 de junho de 2009

Google translate.

Aqui os ares vão se arejando e mudando devagarinho. Tá na hora de voltar às origens e ler no bom e velho idioma do Camões modernizado. Tô virando eles, de biquinho e tudo mais. Esqueci do meu Chico, do meu Fulano, do meu Carvalho, fico só bebericando com Bashung e amando Brel. Tá na hora de arriar a saia de xita, e voltar a parler latino-americano.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

da saudade.

nessa terra de gelo, encontro meu poetinha, gigante, arrepiando os pelos que nem se sabiam mais meus, trazendo coisa essa, que ultrapassa. esse negócio dessas gentes que se encontram pela vida, dão-se mãos, e partem juntos, eternos, numa caminhada à la Vinicius, pra te dizer que eu sei que vou te amar, por toda a minha vida...esse verde e esse amarelo ofuscando tristezas e arrasando desesperos. não sabemos ainda, mas nada há como este paraíso, agora tão longe, brasilís.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

eu sou assim. tão pequenina, tão limitada nessa imensidão. eu venho desse onde distante, distante do aqui que me dava tanta certeza. meu marido é o tempo, explorador de mim, me aprisionando nesse esperança vadia de viver um quando que tarda, tarda, mas que não se adia.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Bon voyage !

nessa frança é difícil manter contato - humano. as gentes, as coisas, é tudo muito novo, muito doido. falta brasil na vida desse povo.

eu escrevi um roteiro. meu primeiro roteiro. cercado de telhas, cercado de sonhos, cercado de tempo, cercado dessa vontade minha - nossa - de fazer parte do infinito. no meu roteiro, um projecionista de cinema é o personagem principal. frustrado em seu casamento, em sua vida, em seu sempre-a-mesma-coisa, meu projecionista se apaixonada por essa menina. que entra em cena de maneira divina, sem fazer barulho, sem causar espanto, única, solitária, inocente, linda. a minha menina é apaixonada por um ator de filme mudo. a minha menina vai todos os dias ao pequeno cinema do projecionista. a minha menina vira a menina do meu projecionista. e a coisa anda de várias formas. o fato é que eles entram na tela do cinema, e eles são felizes. normal. por que não ?

por que o sonho não pode nunca ser mais forte que a realidade. é preciso drama, tragédia mesmo, é preciso que alguém morra para que a fantasia se realize. 

pelo menos foi o que me disse, de maneira sentencioza, a minha professora do curso de roteiro.  a felicidade fácil, tranquila, gera frustração. eu teria que matar meu projecionista. esse era o plano. ele morre, e então tudo acaba bem. tranquilo, cartasis. 

não. meu corpo todo implora a esses dedos que não teclem esse fim para a minha pequena história. mas, estamos em França, e lá fora os -3,5 graus afetam os afetos. sou eu navengando contra uma corrente de flocos de neve - 100 km/h - só agora entendo que o frio nesse mundo não é frio, é mal, é qualquer coisa que faz mal, que ultrapassa qualquer sentimento de frio, por mais intenso que fosse, que eu pudesse jamais sentir.

é desse frio que eu sobrevivo, dia-a-dia, aprendendo o "bonjour, monsieur" para o simpático rapaz de vinte anos sentado à minha direita na ida do trem.

sólido gelo estrangulando (meu) corações.

sábado, 26 de julho de 2008

o tempo. esse estranho poeta, o tempo, me deu asas de vencedor, me carregou no colo e acorrentou meus instintos à liberdade, enganou meus sorrisos, desfez meus afagos. o tempo, esse estranho conhecedor de mim, me derrubou sem piedade, me afogou na esperança de saber mais e mais, o tempo, tempo, me destruiu em pequenos cacos sabotados de certeza, me tornou incapaz, frágil e delicada, por que o tempo é o que é, é o universo e suas desvantagens para nós, é o tempo o catecismo que me corrói, é o tempo o vento que me julga, é o tempo a religião do meu algoz. sou eu o tempo. e o tempo me desncronstrói.