e é por não existir verdade nenhuma que me arrasto por aqui. sem esperanças de sinceridade, sem esperas de encontrar - alguém. me entretenho em mais um gole desse whisky, chamando todas as atenções para mim, me transformo em todos os clichês, em todas as decadentes ilusões que todos esperam por um dia viver. aquele garçon garçon se compadesse, me acaricia e experimenta entrar em cena. é tudo jogo. ilusão. esse meu andar solitário não passa do meu melhor papel, aguado, feito de espuma que me envolve e faz a cabeça pirar no não-querer. mas no fim de tudo, me resta saudade, me resta sutileza, aquela de já não acreditar. ele me chama, me espera, me clama querida, querida, me diz única, rara, estranha conhecida, são seus olhos, ou o meu sorriso sincero demais que te faz entrar na onda. pero no hay banda. et au creux de mon coeur il n'y a pas les deux escaliers du crital. já estou dentro da roda, curtindo a vibe, frenesi de mim, já me encostei no seu peito e agora sou sua. mas também já passou, como nada fica, meus pés doem e a testa arde, eram só goles e mais goles, na mais completa libertinagem que me prendeu nessa prosa imunda, cheia de coisas conhecidas e sofrimentos não sentidos. mas faz parte, isso também pode ser literatura, meu bem. é nada. extravagância só - da minha parte - querer me entreter fazendo nada, fazendo imagem, fazendo mim(s), sempre outras, nunca eu.
pura ficção.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
não sou e jamais serei o tipo de pessoa que resta. restarei passando, como sempre fiz. um espetáculo de espelhos que correm, correm, quase sem pressa. me resguardo em pequenos pedaços de gentes que ficam soltos dentro de mim: o sorriso de um, o cheiro de outra, o beijo daquele a lembrança de outrora. vou me prendendo a estes pequeninos souvenirs que coleciono - corpos e retalhos de almas cedidos a mim. vou me fazendo grande, inchada, boneca de chita costurada por dentro - nó cego. é impossível, portanto, medir a dimensão dos carinhos, eles passam e eu vou ficando, só os querendo ver avante, avante. por que cada um me toca de um jeito, por um lado, por um novo espelho (meu), e é de vidro arado que meu coração vira cristal, frágil e delicado, pronto, pronto a ser quebrado e retalhado. então, a beleza de viver: catar pedaços de conchas que vão nos transformando no molusco mais ousado, cheio de tatos, todo meleca - me encosta e estremeço - já sou quase saudade, evoluindo, me contraindo, me despedindo sempre, para novamente embarcar em mais um terreno. ninguém é feito de um só, ninguém passa imune a um encontro, um beijo, um sexo, ou apenas ao desejo. é sempre solitário viver no meio dos outros (sem ilusões) por que a solidão é inevitavelmente feita do encontro.
e desse nosso, devo dizer que nada saiu imune, foi tudo acertado, foi tudo vivido. e aqui apresento meu pequenino coração, já tão cheio de você reluzindo cores e luzes dentro de mim. prazer!
e desse nosso, devo dizer que nada saiu imune, foi tudo acertado, foi tudo vivido. e aqui apresento meu pequenino coração, já tão cheio de você reluzindo cores e luzes dentro de mim. prazer!
domingo, 25 de novembro de 2007
era uma vez em que nada se arranjava, em que tudo era perdido. era uma vez em que eu era tão sozinha que me debrucei naquela mão com força. era uma vez em que restou um olhar, e veio o sorriso, seguido de um abraço. era uma vez em que nada era mais como antes, e tudo fazia sim algum sentido. era uma vez. era uma vez.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
num desses dias em que o mundo parece esmagar todas as certezas, as concretudides. às vezes é delicado tentar entender o que é mundo, o que é viver. o senhor rosa diria que viver é muito perigoso - será viver, ou serei eu o grande perigo? ando arrastada, me sentindo quieta, meio-lixo. ando entristecida com fatos, verdades, nutrindo, pequenina, meu desamor e minha covardia. sou intragável, insugável, mas no entanto "she sucks in all the air around her"...é de tentar, é de acostumar, essa coisa toda é vida, e já não sei por que é que se briga tanto para seguir nessa brisa. queria saber de toques, entender, sustentar; aprender a olhar e gostar - é sim importante amar. não, mas vou é me perdendo nessas pequenas fugas da minha cabeça, mas vou transgredindo o sentido natural de tudo, e me recolhendo cada vez mais em meu extenso universo. seria bom, de verdade, não falar, mudar para um lugar sem julgamentos, sem decisões, sem desconfortos, onde o importante fosse estar e apenas let it be. o importante é aguardar pacientemente a morte, esquecer dívidas, acasos, intrigas sociais, e desvencilhar todas as falsas verdades que ficam impregnadas pelas roupas mais íntimas - é importante exercer o glorioso se dando o desbunde de se adorar mais que aos outros.
a vontade de agora é largar tudo: carreira, mãe, emprego, saúde, sucesso. me perder exausta entre os suores e as mais delicadas perdições do meu corpo - que conheço tão pouco. me prender mais a mim mesma e desbravar horizontes, sem medos dos outros, do mundo, ou de você.
a vontade de agora é largar tudo: carreira, mãe, emprego, saúde, sucesso. me perder exausta entre os suores e as mais delicadas perdições do meu corpo - que conheço tão pouco. me prender mais a mim mesma e desbravar horizontes, sem medos dos outros, do mundo, ou de você.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
fim.
caiu. o mundo todo e tudo dói agora. era bom, bonito, um barato, meu amor. era tão certo, tão claro-concreto, era eu, me querendo sua e você só se querendo. fim. foi lindo, olá-tudo bem. beijo. beijo. huns, nhans, nhen-nhen-nhens. acabou-se. cá estou, cheia de outros, outras, vocês na minha história. a gente era sempre tão cheios de fins que nunca chegavam a fim algum. eu era todo cheia de começos que não começavam, cheia de risos, cheia de caras, de tapas, de dores, de afagos, de sexos, de amores. pra você. acabou. meus amigos vão dizer. acabou. eu vou chorar. acabou. você nem liga. e acabou. como tudo na vida deve ser, eterna roda nossa. acabou. farwell, my love. adieu, mon ami. my heart. meu querubim, de querer-bem. voou. como todo o peso dessa história. acabou.
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volta?
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volta?
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